ParóquiadaMaia

TESTEMUNHO MARCO CUNHA

Hoje apresentamos o testemunho de Marco Cunha, seminarista natural de S. Martinho de Bougado, partilhado no Facebook por Vocações Trofa:

Entrei para o noviciado da Companhia de Jesus (jesuítas) no ano de 2002, tendo na altura 27 anos. Não foi nem um desejo que explodiu de um dia para o outro nem um sonho que sempre tenha tido. Até à minha ida para a universidade a vida avançava sem grandes inquietações, tinha uma boa família, e sonhava o que todos sonham: uma boa vida, com saúde, com amigos, uma mulher e filhos. Queria estudar e tirar um curso. Tudo andava bem. Ia à missa, mas sem nunca me questionar verdadeiramente porquê, sem nunca dar a oportunidade a Deus de me mostrar o que era o melhor para mim. Com o passar dos anos, fui sentido uma inquietação, como se alguma coisa de importante faltasse na minha vida. Tudo aparentava estar bem e, mesmo assim, faltava-me qualquer coisa. Um vazio que não podia explicar. Naqueles anos (meados dos anos 90) não pensava minimamente em entrar para um seminário ou tornar-me religioso: vivia a minha vida com uma certa neutralidade frequentando a Eucaristia dominical sem me preocupar com o assunto e procurando perceber o que causava a minha insatisfação de fundo.

Neste contexto conheci o CREU-IL, Centro de Reflexão e Encontro Universitário – Inácio de Loiola. Este centro é um ponto de encontro para estudantes universitários no Porto, fundado pelos Jesuítas. Pretende ser um espaço de convívio, de estudo e de reflexão. Este espaço abriu-me muitas portas, encontrei pessoas próximas com quem poderia falar das minhas dificuldades e desafios. Uma das coisas que rapidamente descobri foi que apesar de ser baptizado e crismado, ainda não tinha feito a minha opção de Vida Cristã. Era cristão porque sim! Isto não me bastava. Parte da minha frustração vinha do simples facto de não ter para a minha vida uma opção fundamental clara e profundamente definida: ia vivendo. Mais tarde percebi que aquilo que eu identificava como uma voz de descontentamento dentro de mim, era  a mão terna e suave de Deus que me chamava. Neste centro procurei aprofundar o que significa ser Cristão: perguntei, rezei, reflecti, partilhei, conversei, ouvi... Fui delicadamente percebendo que Deus sempre esteve presente na minha vida e, a pouco e pouco, sendo capaz de O ver presente a meu lado. Descobri uma coisa fundamental: sou chamado a ser Cristão. E qual foi a minha resposta? De facto a minha resposta foi: vou pensar. Precisei de mais alguns anos até dizer: Senhor, estou aqui: que queres de mim?

Quando, no ano 2000, resolvi dizer: estou aqui Senhor procurei um amigo, um padre jesuíta, e pedi-lhe que me ajudasse a encontrar o caminho que Deus sonha para mim. Por esta altura, a minha vida não era diferente de qualquer um dos meus colegas da universidade: tinha terminado o meu curso, comecei a trabalhar como engenheiro civil, tinha a minha namorada e os meus amigos, com quem saía e me divertia. Dois anos depois, cheguei à conclusão que Deus me convidava, terna e amorosamente, no silêncio de um abraço, a consagrar-me a Ele. A minha vocação nasceu assim: ao longo de anos de amizade de Jesus comigo, num estreitar de amizade crescente, e, sem que eu desse por isso, Ele fazia parte da minha vida. Quando percebi que Jesus me convidava a esta intimidade com Ele, cheguei à conclusão que me queria consagrar integralmente a Ele e por isso pedi para entrar para o noviciado da Companhia de Jesus. Era chamado à vida consagrada, mas não era ainda claro para mim se era ou não chamado ao sacerdócio e foi uma vez mais no concreto da relação com Jesus que tomou forma a minha vocação sacerdotal.

Actualmente vivo em Roma onde estudo teologia preparando-me para vir a ser ordenado Padre. Tenho este sonho de viver centrado em Cristo Jesus, procurando sempre e em tudo a Sua vontade, e de ajudar outros a encontrá-Lo nas suas vidas. Descobri que seguir Jesus, ser Seu discípulo, é seguir o apelo radicado no mais profundo de mim mesmo. Segui-Lo não é um peso que entristece ou oprime, que obriga a fazer coisas que não quero, mas antes uma opção de libertação que me faz ser o que realmente sou! Que liberta e dá força precisamente porque nos leva a ser aquilo que na realidade somos. Descobri que nada nem ninguém nos pode afastar d'Ele. Nem a doença, nem a pobreza, nem a desonra. Nada nem ninguém! Razão tem Jesus quando diz que quem O seguir e deixar alguma coisa por causa do Evangelho receberá cem vezes mais já nesta vida!

2010-12-04 | Equipa Paroquial Vocacional

Outros artigos

Conversas de Namorados

Conceição e Jorge Castro | 2014-06-04

O encontro destinava-se criar espaços de reflexão sobre a vida a dois numa perspectiva cristã
Testemunho Isabel Maria, mss

Equipa Paroquial Vocacional | 2011-01-03

Testemunho de António Francisco dos Santos - Parte 2

Equipa Paroquial Vocacional | 2010-10-02

Testemunho do Padre Domingos

Equipa Paroquial Vocacional | 2010-01-03



Paróquia da Maia © 2014
pdj@paroquiadamaia.net
redacao@paroquiadamaia.net