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O MEU PRIMEIRO DIA NA MAIA FOI REVESTIDO DE NOVIDADE

Já tinha sido “nomeado” “in pectore” (no coração) do Bispo da nossa Diocese, D.Júlio Tavares Rebimbas, que ainda há bem pouco partiu fazendo a viagem de regresso ao Pai.
A partir dum encontro com ele, para tratar de assuntos referentes ao Seminário do Bom Pastor, em que ele, desabafando comigo, leu-me uma carta do P. Pinheiro Duarte, Pároco da Maia, na qual pedia para ser substituído, devido à doença e à idade e à dificuldade em iniciar a Nova Igreja, cujo projecto, em papel, estava concluído. Olha-me e diz-me:
- “O P.Domingos é que poderia ir para a Maia… o meu tempo melhor foi como Pároco…”
Disse-lhe que ia para onde ele quisesse, dizendo-lhe que “De Baião a Pinheiro da Bemposta eram terras da Diocese… Posso ir quando quiser, só tenho livros…”
“Mas eu preciso de si no Seminário… mas se for mesmo necessário irá para a Maia, pois há lá uma Igreja a construir…”
Passados dois meses ou três, o Sr. D. Júlio aparece em Ermesinde e diz-me:
- “Se o P.Domingos aceitar, vai para a Maia e irá comigo no dia 28, pois vou lá benzer a 1ª pedra da Nova Igreja”.

Comecei a ordenar a minha vida. Iria para a Maia assumir a Paróquia sem deixar as tarefas do Seminário, que para além de acompanhar os Alunos, lecionar, gerir toda a casa, começar a Igreja Nova para a qual só havia promessas mas não dinheiro…

Chegou o dia 28 de Outubro. Fui buscar o Senhor D. Júlio e os dois chegámos à Maia, à Câmara, onde havia uma sessão de homenagem ao Sr. P. Duarte, finda a qual, haveria a bênção da 1ª pedra no lugar destinado à edificação…

Eu fui olhando e pensando em tudo o que teria aos meus ombros a partir desse momento. Posto à margem, e ignorado por todos, melhor pude pensar… Sem ouvir qualquer alusão a meu respeito, coloquei tudo nas mãos de Jesus e nas de Nossa Senhora, frente à Igreja, hoje Santuário. Ao ver nesse momento um painel de azulejos com a imagem de Nossa Senhora do Carmo, senti-me renascer e disse para comigo: “Estou bem acompanhado e protegido”.

A tarde passou-se como a tinham pensado, com almoço para algumas centenas de pessoas que se tinham inscrito. Porque nada sabia não me inscrevi, mas valeu-me uma cadeira vazia, ao lado das escadas, certamente porque alguém, à última hora, não pôde estar, porque tinha trazido o Sr. Bispo, comeria em vez de quem se inscreveu e não apareceu…
Quem teria sido? Agradeço a essa pessoa “desconhecida”, devo-lhe o almoço.

Embora me assaltasse vezes sem conta a vontade de sair e aparecer no fim, fiquei ali, num diálogo e agradecimento interior ao Senhor, pensando na Eucaristia das 18h que iria celebrar, nesse Sábado já como Administrador da Paroquia da Maia.
Antes das 18h00 já estava na Sacristia, pois gosto muito da pontualidade.

Presidi à Celebração. Gente houve que ficou a saber que eu era o Padre que iria ficar na Maia. No fim, despedi-me com um até amanhã e regressei ao Seminário de Ermesinde meditando em tudo o que tinha acontecido e como Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, tudo guardo no coração, onde para sempre tudo ficará.

A partir desse dia, comecei a fazer da Maia a minha terra, indo e vindo de Ermesinde, nalguns dias vinha três e mais vezes, porque a vida assim o ditava: funerais, atendimento, Celebrações, Catequese…
A Nova Igreja tinha sido adjudicada, oito dias antes, e deveria ser começada. A Empresa construtora começou a fazer o seu estaleiro no espaço destinado à Nova Igreja… E agora, me perguntei muitas vezes, como vai ser, pois não há dinheiro e não notava nos que se diziam “maiatos de gema” vontade nenhuma de dar…

Venci todo o ambiente que, não sendo hostil, pois muita gente me dizia que não era preciso Igreja, pois a que se tinha chegava e sobrava, verdade que eu não podia desmentir.
Sentia-me enviado e peregrino, consciente do que Jesus disse e diz aos Seus Apóstolos: “Ide, ensinai e baptizai… Eu estarei para sempre convosco.”
O ano de 1990 foi de arranque da construção da Igreja Nova… Deu-me muito que pensar e não só de dia. Os alicerces foram feitos. O passar do tempo foi fazendo despertar muitos da nostalgia e do sono.
Começaram a aparecer as primeiras ofertas. Há uma que tenho bem presente. Foi a oferta dum casal que andava a terminar a sua casa nesta Maia. No fim duma celebração, junto ao portão da Casa Paroquial entrega-me um cheque dizendo: ”Deus ajudou-nos a construir a nossa casa. Nós queremos ajudar a construir a Sua… “ Eu fiquei sem palavras e pedi a Deus a bênção para esse casal”.
Deus ouviu a minha oração e os meus pedidos.

As maravilhas com que Deus bafejou esta Paróquia foram sendo a minha experiência. Muitos me têm ajudado. Sozinho não teria saído do primeiro dia.
Este 28 de Outubro que se aproxima, perfazendo 22 anos, leva-me a mergulhar no acontecido nesse dia e enche-me de coragem para dizer bem alto: Não paremos!

(Continuarei ….)

2011-10-25 | Pe. Domingos

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