DIÁCONO JOSÉ PEREIRA

Este mês, os elementos que constituem a redação estiveram à conversa com o Sr. Pereira, diácono da paróquia da Maia,
nomeado pelo Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, em Fevereiro de 2011.
O encontro com o nosso diácono ocorreu na Igreja de Nossa Senhora da Maia. Com a sua habitual disponibilidade e
sentido de missão, o diácono Pereira ofereceu-se para conversar connosco e dar-nos a conhecer o seu trabalho.
O Sr. Pereira começou por dizer que sempre esteve ligado à Igreja, até pelo facto de ter alguns familiares que escolheram o
sacerdócio como forma de vida. Um deles é bem conhecido, o seu tio, D. Serafim Ferreira e Silva, bispo emérito de Leiria-Fátima.
Sendo o mais velho de cinco irmãos, nasceu em Ribeirão, no distrito de Braga. Com 6 anos, saiu de casa para poder
frequentar a escola primária.
De volta à sua terra natal, por ocasião das férias, lembra-se de, juntamente com dois dos seus irmãos e dois primos,
acolitar e tocar os sinos da Igreja de Ribeirão.
A JOC (Juventude Operária Católica) mantinha-o ocupado nas tardes de domingo com as actividades que oferecia.
Aos 10 anos concluiu a escola primária e foi para a Póvoa de Varzim fazer o liceu. Em 1963, foi para Lisboa trabalhar
como desenhador orçamentista na área da construção civil. Tinha então 16 anos.
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O momento que mais me marcou foi o dia da minha ordenação.
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Na altura, o seu tio, D. Serafim, era padre em Lisboa, na Capela do Rato, e frequentemente, convidava-o para
fazer as leituras. Ficou em Lisboa durante 5 anos. Depois, veio o serviço militar, que durou cerca de três anos
(25 meses em Angola e 11 em Portugal).
Terminado esse período, decide regressar ao Norte, onde tinha já namorada, para casar e constituir família.
A nível profissional, o Sr. Pereira já exerceu várias actividades, tendo estado nos últimos anos a trabalhar como
notário no Tribunal Eclesiástico do Porto.
Confirma ter sempre sentido um chamamento para trabalhar e colaborar na e com a Igreja. Contudo, nunca sentiu o
apelo para o sacerdócio. Na nossa Paróquia já foi responsável pelos acólitos, leitor e colaborador no Solar das Tílias.
A decisão de se tornar diácono, surgiu numa fase em que já tinha a vida estabilizada, com as filhas já adultas e a trabalhar.
O processo para o diaconado obrigou-o à frequência do Curso Básico de Teologia, a que se seguiu mais um ano de preparação
para as celebrações.
Por isso, não admira que tenha afirmado que o momento mais marcante, até agora, como diácono, tenha sido o dia da sua ordenação.
Durante três anos, depois do trabalho no Tribunal Eclesiástico, as noites de 2ª a 6ª feira e todas as manhãs de
sábado foram ocupadas com as aulas.
O apoio incondicional das filhas e, de forma muito particular, da esposa, Dª. Cecília (catequista da nossa paróquia),
foi fundamental para a concretização deste objectivo.
No fim dum percurso formativo enriquecedor, o Diácono Pereira foi colocado na Paróquia da Maia (por ter sido esta,
a paróquia que o indicou para o diaconado), que fica agora mais rica com o seu serviço à comunidade dos fiéis e com o seu
espírito de comunhão fraterna.
Tal como os sacerdotes, não tem nenhum regime de exclusividade, pelo que pode exercer o diaconado em qualquer outra paróquia,
desde que devidamente autorizado.
Durante a nossa conversa, o Sr. Pereira teve oportunidade de nos dar a conhecer um pouco mais sobre o seu ministério.
Como todo o candidato ao diaconado, o Diácono Pereira teve de ser apresentado pelo pároco, Padre Domingos,
em nome da comunidade, ao Bispo da Diocese (D. Manuel Clemente).
Além disso, o Padre Domingos teve de o anunciar nas missas, assim como o Padre Orlando, em Gueifães,
por ser o vigário da vara, e o pároco da freguesia onde o Sr. Pereira nasceu, para se mostrar que não havia nenhum
impedimento para o exercício do diaconado.
TRIBUNAL ECLESIÁSTICO
É um tribunal com poder para decidir questões da competência da Igreja.
Os casos mais frequentes são os pedidos de nulidade matrimonial. Outra das competências do
tribunal é a causa dos santos, ou seja, o trabalho nos processos de beatificação e
canonização.
O notário é a pessoa que assina e redige os documentos dos processos. É a sua assinatura
que confere autenticação e dá valor legal aos mesmos.
O Diácono Pereira pertence ao grupo dos diáconos permanentes, do qual podem fazer parte: solteiros, casados ou viúvos;
sendo que os solteiros e os viúvos ficam obrigados a cumprir a lei do celibato. Os viúvos devem
ainda dar provas de solidez humana e espiritual
bem como demonstrar adequada formação humana e cristã aos filhos. Se estes quiserem voltar a casar,
terão de pedir dispensa do diaconado.
Tanto os solteiros como os viúvos podem seguir para o sacerdócio se entenderem.
Se tiverem filhos menores, só poderão avançar se estes lhes derem autorização expressa, caso contrário terão de aguardar
até atingirem a maioridade.
Se forem casados, necessitam de ter, pelo menos, 35 anos e a autorização da mulher. A Dª Cecília teve que manifestar
a sua concordância em 3 momentos diferentes, através da assinatura de um documento.
Como diácono, o apoio e serviço que pode prestar à paróquia e ao sacerdote é precioso. Um diácono só não pode administrar o
sacramento da unção aos enfermos, o sacramento da reconciliação (Confissão) e realizar a liturgia eucarística (Consagração).
O que deixa uma área de trabalho e entrega muito alargada…
O Sr. Pereira acrescenta ainda que os Diáconos têm uma Missão social muito importante. Já nos primórdios do cristianisno eram
os Diáconos que estavam encarregados do apoio social às famílias.
Antigamente as mulheres eram marginalizadas e não tinham qualquer emprego ou sustento. Apenas o marido trabalhava e, quando
ficavam viúvas nada tinham para se sustentarem a elas próprias e aos filhos.
Ouvimos numa das leituras de um destes domingos que falava dos Diáconos - os sete que foram escolhidos, tendo à sua cabeça
Estevão - que a Missão deles era a de amparar os pobres, os orfãos e as viúvas, exactamente porque estas eram as categorias
sociais desprotegidas e desfavorecidas.
Por isso a Missão do Diácono deve estar ligada á Santa Casa da Misericórdia e à Conferência
de São Vicente de Paulo, que são as estruturas sociais ligadas à Igreja que poderão prestar
exactamente este apoio.
A Deus agradecemos esta dádiva. A Igreja tem muito a ganhar com aqueles que trabalham e colocam ao serviço de todos
os seus talentos.
2011-06-06 | Redação
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