ENTREVISTA AO GRUPO DE CATEQUESE
A equipa de redação foi ao encontro de mais um grupo, neste caso ao encontro do grupo de catequese. A conversa
deu-se com o seu coordenador, o catequista José Manuel Cardoso, e com alguns dos catequistas mais jovens:
Joana, Margarida, Pedro e João.
O grupo tem cerca de 47 catequistas no ativo e mais alguns que, não estando a fazer catequese, continuam a ser
catequistas.
Na sua estrutura organizativa, a catequese conta com um coordenador e um secretariado. No secretariado têm
assento todos os anos de catequese, através do respetivo representante.
O grupo de catequese faz parte do Conselho de Pastoral Paroquial, onde tem dois representantes nomeados,
pelo secretariado, o José Manuel e a Paula Isabel, e da Equipa Vicarial, onde se faz representar também por
duas catequistas, a Isilda e a Celeste.
As orientações delineadas pelo Sr. D. Manuel Clemente com o Secretariado Diocesano de Educação Cristã (SDEC)
chegam até ao secretariado através da vigararia.
O secretariado reúne, pelo menos, uma vez por trimestre. No início do ano catequético e nos «tempos fortes»
reúne mais amiúde para preparar as atividades e celebrações.
Todas as decisões, tomadas em sede de secretariado, são ratificadas pelo Padre Domingos. Algumas dessas decisões e
orientações prendem-se com o calendário, horários e distribuição dos catequistas e das diferentes tarefas.
De acordo com o coordenador da catequese, o número ideal de crianças por catequista seria de dez. No entanto,
este número é difícil de validar, sobretudo, nos primeiros anos de catequese, onde existe um défice de catequistas,
pois os grupos apresentam um admirável número de catequizandos.
Nos primeiros anos, até à Festa da Eucaristia, os grupos são constituídos por cerca de 100 crianças.
Ao longo do percurso de catequese, que, na paróquia da Maia é de onze anos, o número
de crianças ou jovens vai reduzindo.
Todos os anos, sente-se a necessidade de captar novos membros para o anúncio do Evangelho. Contudo, a tarefa
não se tem revelado fácil. Felizmente, este ano conseguiram «pescar» cinco jovens: a Margarida, a Ana Lídia,
a Joana, a Priscila e o Gonçalo. Alguns deles fizeram o Crisma no passado mês de setembro.
A par dos jovens, a mensagem para anunciar chega também a alguns pais que acabam por se oferecer para tão
nobre e humilde tarefa.
Juntar-se a este grupo é muito simples. No primeiro ano começa por auxiliar um grupo e no ano seguinte
frequenta o curso de iniciação, a partir do qual se considera ter a formação base.
A Joana e a Margarida falam várias vezes durante a semana. Leem o guia para preparar as sessões
de catequese que tendem sempre a ser muito intensas: ou são verdadeiramente entusiasmantes ou frustrantes.
Estas catequistas, que trabalham com crianças do primeiro ano, já conseguem traçar um quadro de
dificuldades: o desenho das sessões de catequese, com um momento de experiência humana, reflexão e experiência
de Fé, é normalmente muito extenso para um poder de concentração tão reduzido que as crianças, por norma,
apresentam. Daí que, por vezes, preparam as sessões «fugindo» um pouco às dinâmicas do guia mas,
criando sempre momentos de interação com as crianças a fim de captar a sua atenção e levá-los a
partilhar as experiências que têm em casa.
Para o Pedro, o incentivo da família e a perceção da necessidade de catequistas foram determinantes
na sua decisão de abraçar o projeto da catequese.
Apesar de estar a estudar em Coimbra, mantém o seu compromisso com a catequese pois sente que é importante
dar a conhecer a mensagem de Jesus.
Por seu lado, o João refere que é sempre necessário chegar com antecedência para preparar a sala e o material
que será utilizado. Quando lhe cabe apresentar a sessão, gasta cerca de 7 a 8 horas nessa semana.
Este é o seu segundo ano como catequista.
Assumindo que não se consegue entusiasmar todos, todos ao mesmo tempo e todos à volta de todas as iniciativas,
sente-se que é premente fazer catequese com os pais. É muito importante que os pais sejam chamados a participar
e a perceber que a catequese é algo que nasce e se vive em família. A catequese acontece em família quando se
reza, se pede e se agradece, quando se fala de Jesus e se dá exemplo da Sua vida.
Importante é também passar a mensagem que o modelo de catequese, promovido pela Igreja tem duas horas:
a hora da sessão e a hora da celebração eucarística.
A este nível, a Equipa Animadora tem conseguido imprimir uma dinâmica e um entusiasmo muito interessantes.
A celebração das 19h de sábado tem motivado para a participação uma faixa etária mais jovem. São menos as pessoas
na assembleia com «cabelos brancos».
Na opinião destes jovens, as maiores dificuldades com os grupos dos primeiros anos, prendem-se com a
falta de concentração e atenção das crianças, alguma agitação causada pela pressão de muitas outras atividades
e pelo facto de nunca lhes terem falado de Jesus antes de entrarem na catequese.
À medida que crescem, as dificuldades são outras. A participação torna-se mais tímida. As crianças
pré-adolescentes e os adolescentes sentem-se mais embaraçados o que dificulta a adesão às atividades e propostas.
Os jovens catequistas que puderam estar presentes nesta entrevista confirmaram que se sentem motivados e
entusiasmados. A vontade própria e a motivação familiar ajudam a abraçar o projeto de fazer catequese,
apesar das dificuldades e constrangimentos que cada um enfrenta. Vir de Coimbra, todos os fins de semana,
enfrentar viagens longas em transportes públicos, reunir, preparar as sessões e preparar-se para elas exige
sacrifício pessoal.
É comum ouvir o coordenador da catequese dizer que não se pode ser catequista uma hora por semana. Ser catequista é
uma forma de estar e de viver. Os catequistas precisam de ser mais proativos. Para isso, é preciso ter
disponibilidade e vontade de aprender também. Consequentemente, considera que a formação é fundamental.
Há muita deficiência de formação a nível teológico e doutrinal. A formação interna poderá ser uma
mais-valia na dinâmica de um grupo tão heterogéneo como este. Os momentos em comum, de partilha e de
reflexão também ajudam a promover o espírito de equipa, de colaboração e de comunicação.
Ser catequista é o eterno desafio de aceitar dar-se.
2011-12-19 | Redação
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