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ZELADORAS DO SANTUÁRIO


Já há algum tempo que a redação queria conhecer as equipas de zeladoras do Santuário de Nossa Senhora do Bom Despacho. As festas em Sua honra, acabaram por proporcionar a oportunidade ideal para falar com todas, por ser precisamente a altura do ano em que o trabalho destas equipas é mais visível.
Na sexta-feira que antecedeu o início das festividades, viemos encontrá-las em grande azáfama a ultimar os preparativos para a festa.

Ao contrário do que acontece na Igreja de Nossa Senhora da Maia, aqui, as equipas trabalham sempre em simultâneo. Cada equipa é responsável por um altar, e reúnem-se todas as semanas para enfeitar a igreja. Ao todo são 6 equipas, tantas quantos os altares, que trabalham sob a coordenação da Dª Emília Hora, a zeladora mais antiga.
Encontram-se às sextas-feiras de manhã, cedo, a partir das 7h, para enfeitar a igreja até às 9h ou 10h. Fazem-no a esta hora, porque por vezes realizam-se funerais de manhã e a igreja já tem que estar pronta.
Quando têm que preparar a igreja para casamentos, os trabalhos prolongam-se até mais tarde, durando muitas vezes toda a manhã.

A Dª Emília é zeladora desta igreja há 53 anos. É, desde o início, responsável pelo Altor-mor, ou altar do Santíssimo. A Dª Emília explica-nos que ser zeladora é uma vocação. Recorda-se de, na infância, brincar às casinhas e nelas colocar e enfeitar altares. Para desespero da mãe, cortava-lhe as flores todas para usar nos seus enfeites.
Já depois de casada, numa das missas o Pe. Duarte pediu uma zeladora para o altar do Santíssimo. Nessa altura os homens ficavam na parte da frente da igreja e as mulheres atrás. Quando se encontrou com o marido, no fim da missa, disse-lhe que gostava de responder ao pedido do Pe. Duarte. O Sr. Hora desencorajou-a porque era um compromisso muito grande, implicava muita disponibilidade e algumas despesas.
Cinco meses mais tarde, o Pe. Duarte lamentou-se por ainda ninguém ter respondido ao seu apelo. Novamente, no fim da missa, a Dª Emília insistiu com o marido para a deixar aceitar este trabalho. O Sr. Hora desta vez acedeu, mas não sem antes a voltar a alertar para o trabalho em que se estava a envolver.
O Altar era até aí, preparado por uma senhora já com alguma idade, Dª Alzira, conhecida como Dª Alzira do Moleiro, que com a chegada da Dª Emília passou a preparar apenas as toalhas, deixando para a Dª Emília os arranjos das flores. Pouco tempo depois a Dª Alzira deixou de poder tratar das toalhas, ficando todo o trabalho a cargo da Dª Emília.
Para além do trabalho feito na igreja, há muitas tarefas que não se veem, como a preparação das toalhas (lavar e passar a ferro) e das flores (compradas ou tratadas para o efeito).
A Dª Emília faz também toalhas que oferece para os vários altares. Todos os anos faz duas ou três, tendo já oferecido mais de 50.
Nas festas, além do altar-mor, ajuda as colegas nos outros altares, e prepara os andores de Nª Senhora do Bom Despacho, do Menino Jesus de Praga e, a pedido do marido, o de S. Miguel.

Cada equipa assume as despesas para os enfeites do "seu" altar. A exceção é quando há casamentos e os noivos pedem arranjos iguais em todos os altares. Nesses casos são os noivos que pagam as flores, e a Dª Emília comunica a todas as equipas que nessa semana não precisam de as comprar.

O altar do Sagrado Coração de Jesus, era da responsabilidade da Dª Maria Albina de Sousa Maia que o "herdou" da sua madrinha Maria Albina de Sousa Pilrão. Atualmente, a Dª Albina, com 92 anos, já não o pode fazer, tendo a sua sobrinha, Drª Sofia assumido esta responsabilidade, há alguns anos já.

O altar de Nossa Senhora do Bom Despacho, é da responsabilidade da zeladora Fátima Costa. Tal como acontece com quase todas as zeladoras, o altar é da responsabilidade da família há muitos anos. Excecionalmente, nas festas de N. Sra do Bom Despacho, este altar é enfeitado pela florista Maria José.

O altar de Sto António é da responsabilidade da Dª Emília Oliveira.

O altar de Nª Senhora de Fátima é enfeitado pela Dª Elisa da Silva Correia. A Dª Elisa, com 78 anos, conta-nos que este altar foi oferecido, por promessa, pelo Sr. Cabral, dono de uma antiga fábrica no Castêlo da Maia. O altar tinha uma aparência muito diferente da atual, com lâmpadas a toda à volta, uma estrela em cima da Nossa Senhora e um pequeno balcão. Quando foram feitas as obras de restauro, o altar foi remodelado, ficando com o aspeto atual.
O Sr. Cabral e a esposa, Dª Mafalda, eram os responsáveis pelo altar, mandando uma empregada enfeitá-lo. Entretanto, a Dª Rosa, empregada do Pe. Duarte e amiga da Dª Elisa, começou a colaborar também neste altar. Primeiro de forma pontual acabando mais tarde por ficar responsável.
Quando o Pe. Duarte foi para Amarante, em 1991, a Dª Rosa, acompanhou-o, deixando vago o lugar de zeladora. O Pe. Domingos, recém-chegado à nossa paróquia, procurou alguém que pudesse "tomar conta" deste altar. A Dª Elisa ofereceu-se, sendo desde então a zeladora deste altar.

O altar de S. Roque, é enfeitado por 4 irmãs, Beatriz, Maria José, Maria Augusta e Adélia. "Herdaram-no" da mãe, Dª Florinda, que o começou a enfeitar há mais de 40 anos. O marido era "festeiro", nome dado aos elementos da comissão de festas, e ao aproximarem-se as festas, comentou com a Dª Florinda que não havia quem enfeitasse o altar de S. Roque. A Dª Florinda ofereceu-se prontamente para o fazer.
Desde então, passou a preparar o altar durante todo a ano, e nas festas era ajudada pelas filhas.
Naquele tempo, como não havia as esponjas que hoje são usadas para manter as flores com água, usava-se barro. A Dª Florinda fazia umas bolas em barro para colocar as flores.
Quando a Dª Florinda adoeceu, a filha mais velha, Dª Beatriz, ficou responsável pelo altar. É ela que, durante o ano, o enfeita.
Nas festas, é ajudada pelas irmãs, senda a irmã mais nova, Dª Adélia quem idealiza e planeia o arranjo. O Pe. Domingos chama-lhes, na brincadeira, a irmandade de S. Roque.

A imagem de Nossa Senhora da Assunção, junto às escadas de acesso ao coro, é preparada pela Dª Albina que, aos 87 anos, continua a ser zeladora do Santuário. Nos últimos 2 anos, é ajudada pela Rosa e pela Dª Cândida nos arranjos para as festas.

Na preparação das festas, para além dos altares, são também enfeitados os andores que saem na procissão. Os de Nossa Senhora do Bom Despacho, S. Miguel e Menino Jesus de Praga são feitos pela Dª Emília.
O andor de Nª Senhora da Conceição é preparado por duas irmãs, Rosário e Maria João. Já o fazem há cerca de 20 anos, dando continuidade ao trabalho que antes era feito pela mãe.
O andor de Nª Senhora da Maia foi preparado pelo casal Júlia e José Manuel Sousa.

SABIA QUE...

A imagem de Nossa Senhora é preparada para as festas como se se tratasse de uma Rainha de carne e osso?
A imagem é colocada na sacristia, a porta é fechada e não entra nenhum homem enquanto a Dª Emília e mais algumas senhoras preparam a imagem. É então trocada toda a roupa, interior e exterior, para lhe colocarem as vestes festivas. A Dª Emília comenta que tem um roupeiro só por conta da imagem de Nossa Senhora.
Assim que terminam, os homens são chamados para colocarem a imagem no andor.



2012-07-20 | Redação

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